domingo, 18 de outubro de 2009

Boneca negra





Acordei preguiçosamente, levantei meio perdida achando que estava no horário de verão. Dirigi-me ao restaurante. Confusa com o horário estranhei o restaurante fechado. Faltava uma hora para abrir, fiquei olhando as gôndolas em um supermercado próximo, não estava a fim de ficar passeando pelo calçadão sobre o sol escaldante.
O tempo demorava a passar, sentei-me em um banco onde havia muitas pessoas com sacolas de compras esperando condução para retornar para suas residências. Duas mulheres negras sentaram ao meu lado. Tudo normal para uma manha de sábado. De repente a jovem tirou da sacola uma bonequinha negra e começou acariciá-la. Perguntei, e presente para sua filha? Ela respondeu: Não. A senhora ao meu lado disse: ela tem três bonecas. A garota aparentava ter uns 17 anos. Fiquei surpresa quando a mãe disse que ela tinha 3 x 10. Não resisti e pedi para pegar a pequena boneca. Instinto materno, saudades da infância? Não sei se foi pelo fato da boneca ser negra que despertou minha atenção ou se foi à maneira da jovem acariciá-la como se fosse uma criança. Pedi para fotografar ela com a boneca. Com um sorriso tímido ela recusou abaixando a cabeça. Estendeu a mão com a pequena boneca para que eu a fotografasse. Embora a discriminação racial seja crime, sabemos que ela esta viva e arraigada e os racistas usam mascara para esconder a fraqueza de caráter. A escravidão acabou, mas a discriminação racial é crime precisa ser punida.
Seria aquela jovem uma vitima da discriminação racial? Quem sabe a jovem estaria transferindo para boneca o carinho e respeito que não teve na infância por ser uma menina negra.


Maryah Cydah Abrantes Martiniano Ferreira.









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