domingo, 22 de novembro de 2009

Workshop

Maria Vitoria se inscreveu para um Workshop de arte cênica. Ligaram para confirmar se ela aceitaria participar como ouvinte. Claro! Também aprendo ouvindo e observando. Quero enriquecer minha performance nos textos que enceno. A expectativa de Maria Vitoria era grande que valia a pena sacrificar o feriado prolongado. Chegou cedo ao local para não perder nenhum detalhe do Workshop.
Sábado a tarde um calor de 37 graus. Inicio previsto para 14 horas. A “atriz” de cara amarrada iniciou seu trabalho sem se apresentar. Pediu para que os participantes se apresentassem. Todos disseram participarem de grupos teatrais, três se apresentaram como diretores teatrais, uma moca disse que se inscreveu porque gosta de teatro, mas não trabalha como atriz, ganha a vida como arquiteta. A “professora” indagou rispidamente. O que você esta fazendo aqui? Chegou à vez de Maria Vitoria que disse seu nome, profissão professora, escritora e enceno poemas e textos de minha autoria em palestras e eventos beneficentes. Estou aqui para aprender e aperfeiçoar minha performance. Ela chamou os participantes e como alguns inscritos faltaram. Ela chamou os três que foram convidados para participar como ouvintes. Mandou fazer um exercício de desaceleração. Tratava grosseiramente os participantes e resolveu boicotar Maria Vitoria. No inicio do exercício ela disse: Vai sentar. Maria Vitoria sentou-se e começou a calcar o tênis. Ela berrou. Não mandei colocar o tênis. Você vai voltar. Demorou um pouco e chamou novamente Maria Vitoria e novamente berrou. Para! Vai sentar. Mandou sua auxiliar falar com Maria Vitoria. A ‘ “atriz” ficou observando e quando Maria Vitoria tentou explicar para garota que devido a um problema de saúde, sofre de aceleração metabólica. Ela veio e gritou com Maria Vitoria, aqui você não fala. Atitude estranha. O primeiro dia foi uma sessão de palavrões, palavras agressivas com alguns alunos, ela fumava na sala fechada o que provocou uma crise de tosse em um dos participantes que tentou sair para respirar e ela disse: Se sair não volta mais. O participante que também e professor aposentado e diretor teatral, voltou e sentou. No intervalo alguns participantes foram embora e uma garota estava apavorada. Disse: Estou tremendo de medo. A professora e muito brava. Ela ignorou Maria Vitoria. No encerramento como e costume os alunos se sentam no chão para esclarecer duvidas. Maria Vitoria não se moveu da cadeira e abraçada a sua mochila olhava fixamente nela. Ela foi enfática. Eu detesto sair de casa, só estou aqui porque insistiram. Não queriam outra atriz. Fizeram questão da minha presença . Maria Vitoria engoliu seco. Foi convidada. Estamos pagando, hotel, alimentação e um gordo cachê. A mulher estava sentindo-se a cereja do bolo do centenário da rainha Elizabeth.
Maria Vitoria quase quarenta anos de experiência como educadora. Participa de muitos cursos e palestras. Nunca tinha passado por aquele tipo de experiência e constrangimento. Demorou a dormir, mas como a tal atriz havia dito. Tudo e uma questão de escolha. Maria Vitoria em nenhum momento pensou em desistir. No domingo; chegou com uma hora de antecedência, não sabia o que ia fazer. Mas sabia que precisava estar presente ate o final. Mudaram o local. Teatro Municipal, palco amplo, ar condicionado, silencio absoluto. Ela chegou de cara azeda e não cumprimentou ninguém. Algumas alunas disseram que tiveram ate pesadelos. Uns sete desistiram. Ela ironicamente disse: E bom mesmo. Quando adentrou ao teatro ela disse: Todos para o palco. Maria Vitoria sentou-se na segunda cadeira no corredor do meio. Decisão tomada na hora. Vou exercer meu direito de apenas observar e ouvir. Não vou deixar essa “famosa não sei quem” espezinhar nem a mim nem aos colegas, a maioria jovens iniciantes na arte. Ela também decidiu na hora e optou por outra postura. Não sei se tirou ou colocou a mascara e passou a tratar os participantes com menos grosseria e ate colou um sorriso amarelo na cara desbotada. Maria Vitoria acompanhava cada movimento, cada gesto, cada palavra. Sete horas de observação. Ela sabia que Maria Vitoria não ficou sozinha na platéia para admirar seu trabalho e nem para aprender. Maria Vitoria não responder uma palavra, não discutiu nem virou as costa e foi embora. Mostrou com o olhar, que e possível dissolver a insolência. Ao encerrar todos saíram correndo. Maria Vitoria aprendeu uma lição. Antes de inscrever-se para esse tipo de evento exigira uma copia do currículo da preponente.
Não foi palestra, não foi oficina e nem Workshop.



Maryah Cydah Abrantes Martiniano Ferreira.








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