terça-feira, 24 de junho de 2008

CRISE DE ALIMENTOS

Fui criada na roça e trabalhava na agricultura com meus pais, não existia preocupação com alimentos. Um pedaço de chão muito bem administrado pelo meu pai que além da esposa e dos seis filhos, empregava dez famílias. Na época da colheita buscávamos trabalhadores na cidade os (bóias frias) e peões do trecho nunca ficaram ao relento, pois tinha trabalho para todos. Havia fartura de alimentos, tudo produzido naquela terra abençoada. Meu pai vendia o excedente da produção para os cerealistas da região. Os caminhões saiam carregados de arroz, feijão, café, milho, amendoim, farinha de macaxeira. As frutas e verduras amadureciam no pé. A rapadura feita ali mesmo no quintal, carne secando no varal encima do fogão a lenha. No terreiro, galinha caipira e galinha d’angola que lotava os cestos de ovos. Leite direto da fonte. Não tinha moleza, às 4 horas da manhã eu pegava minha moringa, enxada, chapéu e o inseparável par de luvas e ia cumprir a tarefa pré-determinada por meu pai. O êxodo rural acabou com a alegria de muita gente. A alta tecnologia tirou o sustento de famílias que migraram para os grandes centros urbanos. Os sítios e fazendas ficaram vazios e as cidades estão inchadas. Para morar na cidade tem que ter trabalho e ganhar um salário digno. Todo semestre as universidades despejam no mercado de trabalho jovem com diplomas de doutores. A situação está ficando complicada. Com o sem diploma todos precisam de alimentos para sobreviver. A classe assalariada vai eliminando alimentos da mesa. E quem está desempregado, vai comer o que? As contas vencem. O governo incentivou o êxodo rural para desenvolver o setor industrial, agora tem que fazer o caminho inverso. Terra para quem quer trabalhar e produzir. Os governantes precisam investir em penitenciarias agrícolas. Os presidiários têm obrigação de produzirem o que comem e pagar estadia. Aqui fora os trabalhadores estão ralando e quem está desempregado é tratado com lixo. Lixo não reciclável. O caminho da roça hoje só se ouve nas quadrilhas. É bom começar a pensar na agricultura responsável. Antes que fome venha bater na minha porta e na sua. E não adianta dizer que é rico. Não dá para ingerir cédulas ou moedas...

Maryah Cydah Abrantes Martiniano Ferreira. 24/06/2008 Autora
São 524 milhões de vítimas da fome – A fome na infância é outra questão alarmante. Dados da FAO indicam que uma criança morre de fome a cada cinco segundos no mundo. Fonte: Revista Veja.

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